A semana terminou com uma notícia boa e um mês ruim. O PIB do primeiro trimestre de 2026 superou as expectativas e mostrou que a economia real está funcionando melhor do que o mercado financeiro sugere. Ao mesmo tempo, maio fechou como o pior mês da bolsa desde fevereiro de 2023. As duas coisas juntas dizem algo importante sobre o momento que estamos vivendo: o Brasil está crescendo, mas o mercado está descontando outros riscos. Faz sentido prestar atenção nos dois.
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A notícia mais importante da semana saiu na sexta-feira, dia 29. O IBGE divulgou que o PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026, acima da expectativa do mercado, que estava em 1,0%. O agronegócio cresceu 2%, a indústria 1% e os serviços 0,5%. O consumo das famílias avançou 1,0% depois de ter ficado praticamente parado no trimestre anterior. E a formação bruta de capital fixo, que mede o ritmo de investimento na economia, saltou 3,5% depois de cair 3,4% no trimestre anterior. Em valores correntes, foram R$ 3,3 trilhões de atividade econômica gerada entre janeiro e março.
O Exame resumiu bem: o crescimento refletiu a combinação do forte desempenho do agro com a indústria extrativa e um consumo das famílias que voltou a ganhar força. Isso aconteceu mesmo com a guerra no Oriente Médio impactando custos de energia desde fevereiro. A economia real está mais resistente do que parece quando se olha só para a tela da bolsa.
E a bolsa teve um mês péssimo. O Ibovespa fechou maio com queda de 7,22%, o pior resultado desde fevereiro de 2023. Foram sete semanas consecutivas de queda, algo que não acontecia desde 2004. O dólar fechou o mês em R$ 5,04, com alta de 1,82% no período. Os estrangeiros retiraram R$ 14,1 bilhões da bolsa só em maio. O UBS cortou a recomendação de ações brasileiras de “atrativas” para “neutra” citando mudança no perfil de risco. O mercado está precificando eleição, fiscal e juros mais altos por mais tempo. Tudo ao mesmo tempo.
=> Investimentos
Tem uma contradição aparente nessa semana que vale entender. O PIB cresce acima do esperado, o consumo das famílias acelera, o agronegócio vai bem, e ao mesmo tempo a bolsa cai pelo sétimo mês seguido e os estrangeiros saem. Como explicar isso?
O mercado não está duvidando do crescimento de hoje. Está duvidando da trajetória fiscal de 2027 em diante. Está colocando prêmio de risco na eleição de outubro. Está reprecificando o ciclo de cortes da Selic pra baixo. São apostas sobre o futuro, não sobre o presente. E apostas mudam rápido quando o cenário muda.
O que isso significa na prática é que a renda fixa continua sendo o ativo mais sensato para quem quer preservar patrimônio nesse ambiente. Títulos atrelados ao IPCA com taxas reais ainda acima de 7% ao ano estão capturando um retorno que vai parecer muito bom daqui a dois ou três anos, quando a Selic tiver caído de forma mais consistente. Quem saiu da renda fixa correndo atrás da bolsa nas últimas semanas não se saiu bem. Quem ficou posicionado passou por sete semanas de volatilidade sem precisar tomar decisão no susto.
E uma lembrança para quem ainda não fez: sexta-feira, dia 30 de maio, foi o prazo final para entrega da declaração do Imposto de Renda.
Quem perdeu o prazo pode regularizar a situação, mas com multa.
=> Liderança
O Sebrae realizou nessa semana a Semana do MEI 2026, de 25 a 29 de maio, com programação gratuita em formato híbrido, presencial e online, em diversas cidades do Brasil. Palestras, atendimentos, consultorias e oficinas com foco em capacitação e regularização de microempreendedores. Desde 2022, as edições da Semana do MEI acumularam quase 4 milhões de atendimentos pelo país.
O que esse número representa é mais do que o evento em si. O MEI virou um dos maiores programas de formalização de trabalhadores do mundo. E o empreendedorismo pequeno no Brasil está crescendo: abertura de novos pequenos negócios cresceu 14% em 2026, segundo o Diário do Comércio. São pessoas que estão escolhendo construir algo próprio num ambiente econômico que não facilita.
O que eu vejo de mais interessante nesse movimento é a mudança de postura. O MEI de 2026 não é o mesmo de 2012. Tem mais acesso a crédito, mais ferramentas digitais, mais mercado consumidor online. E a combinação de IA com empreendedorismo individual está criando um tipo novo de negócio pequeno que consegue operar com eficiência de empresa média. A estrutura encolheu. A capacidade de entrega não.
=> IA & Produtividade
Um artigo publicado essa semana no Portal Information Management levantou um ponto que merece atenção de quem tem empresa de qualquer tamanho: o Marco Regulatório da IA, o PL 2338/2023, pode chegar à votação na Câmara ainda no primeiro semestre de 2026. E a forma como o texto está redigido cria um paradoxo.
O projeto promete previsibilidade jurídica pra quem usa IA, que é o que o mercado pede. Mas a carga de conformidade que impõe, com auditorias, documentações e avaliações de impacto, recai de forma desproporcional sobre startups e pequenas empresas, que são exatamente quem menos tem estrutura pra absorver esse custo. O Jornal Empresas & Negócios resumiu a tensão com precisão: regulação ruim é pior do que regulação ausente, porque cria o pior dos dois mundos, impõe custo sem entregar a previsibilidade que justificaria esse custo.
Um dado do Reglab ajuda a entender o problema estrutural: entre 2022 e 2024, o uso de IA na indústria brasileira cresceu 163%. Mas a indústria respondeu por apenas 2,9% das participações nas audiências públicas sobre regulação do setor, mesmo representando 24,7% do PIB nacional. Quem mais usa não está sentado na mesa onde as regras estão sendo definidas. Isso costuma terminar mal.
=> Saúde & Longevidade
Uma reportagem publicada no O Tempo essa semana reúne cinco livros sobre envelhecimento saudável e autocuidado que estão circulando com força nas discussões de medicina preventiva. O que me chamou atenção não foi a lista em si, mas um trecho do ortopedista Fellipe Valle, especialista em medicina regenerativa, que diz o seguinte: a partir dos 30 anos, existe uma degeneração silenciosa e progressiva nas articulações. Longevidade articular é tratar o desgaste antes que ele se torne incapacitante.
Isso não é papo de atleta de elite. É sobre qualidade de vida depois dos 60. Quem chega aos 70 com joelho, quadril e coluna em ordem tem uma vida completamente diferente de quem chega dependente de cirurgia ou com mobilidade comprometida. E a janela para agir é agora, não quando a dor aparecer.
O livro “A Revolução da Longevidade”, do médico Alexandre Kalache citado na mesma reportagem, coloca o envelhecimento brasileiro num contexto mais amplo. O Brasil está envelhecendo mais rápido do que sua estrutura de saúde consegue acompanhar. Mas a mensagem central do autor não é pessimista: envelhecer pode representar conquista e qualidade de vida real quando existe investimento em inclusão, saúde preventiva e combate ao idadismo, que é o preconceito contra pessoas mais velhas.
O que a medicina tem mostrado com consistência é que o envelhecimento ativo não é sorte. É construção. Feita anos antes de precisar.
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Maio acabou com a bolsa no pior desempenho em dois anos e o PIB surpreendendo positivamente no mesmo dia. O Brasil está crescendo e o mercado está pessimista ao mesmo tempo. Quem conseguir separar o ruído de curto prazo da tendência de médio prazo vai tomar decisões melhores. Isso vale pra investimento, pra negócio e pra saúde.
Grande abraço,
Boa semana pra você e pra família!
Max Carneiro | Seu parceiro de planejamento financeiro e proteção familiar
