O Brasil passou. No sufoco, do jeito que a gente já conhece, mas passou. Assistir ao jogo contra o Japão hoje foi aquela mistura clássica de tensão, alívio e aquele fio de cabelo branco que ninguém pediu. E enquanto o País parava pra torcer, o mercado financeiro encerrava uma semana de recuperação que também veio no sufoco, mas veio. Ibovespa subiu quase 3% depois de meses no vermelho, a inflação deu um sinal levemente positivo e o BC admitiu em relatório que a chance de furar a meta de inflação em 2026 chegou a 79%. Boa semana no campo. Cenário ainda apertado fora dele.

=> Economia

A semana começou com o Boletim Focus de segunda-feira, dia 22, revisando o IPCA de 2026 de 5,30% para 5,33% e a Selic projetada para o fim do ano de 13,75% para 14,00%. Mais uma semana de deterioração das expectativas.

Na terça-feira, dia 23, saiu a ata do Copom. O documento manteve aberta a possibilidade de novos cortes, mas reconheceu que os riscos para a inflação seguem assimétricos para cima, com expectativas desancoradas e atividade econômica ainda forte. O mercado teve uma leitura inicial confusa da ata, com os juros futuros abrindo. O cenário se reorganizou na quinta.

Na quinta-feira, dia 25, dois dados importantes. O IPCA-15 de junho veio em 0,41%, abaixo da estimativa de 0,44%. Em 12 meses, a inflação acumulou 4,80%, ainda acima do teto da meta de 4,5%, mas com uma melhora relevante nos componentes de serviços, que é exatamente o ponto de maior atenção do BC. Foi o número que virou o humor da semana.

No mesmo dia, o Relatório de Política Monetária do Banco Central preservou explicitamente a flexibilidade da política monetária, validando cenários de pausa seguida de novos cortes. Mas o documento trouxe um dado que eu não vejo sendo discutido na proporção que merece: a probabilidade de estouro da meta de inflação em 2026, segundo a própria projeção do BC, subiu de 30% em março para 79% em junho. O BC está cortando juros e ao mesmo tempo reconhecendo que a chance de furar a meta é quase oito em dez. Esse é o ambiente em que estamos.

Nos EUA, o PCE de maio, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 0,4%, abaixo dos 0,5% esperados. O dado reforçou a percepção de que o pico inflacionário americano também pode ter passado, o que deu mais fôlego para os ativos de risco globalmente.

O Ibovespa fechou a sexta-feira em alta de 0,76%, aos 173.295 pontos, acumulando valorização de 2,95% na semana. Junho perdeu apenas 0,28% e o índice voltou a registrar ganho de 7,55% em 2026. O dólar fechou próximo dos R$ 5,10, depois de uma reversão brusca no final do dia causada por um ataque a um cargueiro próximo à costa de Omã, que fez o petróleo Brent voltar para US$ 75 e aumentou temporariamente a aversão ao risco. O mundo ainda é volátil.

=> Investimentos

O IPCA-15 melhor do que o esperado fez a curva de juros devolver parte relevante dos prêmios acumulados nas últimas semanas, especialmente nos vencimentos curtos e intermediários. Na prática, isso significa que os títulos prefixados e IPCA+ que estavam sendo negociados com taxas altas ficaram ligeiramente mais caros. Quem tinha posição montada saiu ganhando na marcação a mercado.

Mas o ponto mais importante da semana não foi a bolsa. Foi o que o Relatório de Política Monetária do BC revelou sobre a trajetória da inflação: 79% de chance de estouro da meta em 2026. Para quem está planejando as finanças, isso tem uma tradução direta e pouco glamourosa.

Inflação acima da meta significa que o custo de vida sobe mais do que o esperado. Alimentação, saúde e energia já mostraram isso na prática nos últimos meses. Quem tem investimentos que não acompanham a inflação está perdendo poder de compra de forma silenciosa. E quem ainda tem dinheiro parado em poupança ou em conta corrente está garantindo uma perda real todo mês.

Os títulos atrelados ao IPCA de médio e longo prazo continuam sendo a resposta mais direta para esse cenário. Eles protegem o poder de compra e ainda entregam uma taxa real acima de 7% ao ano. Quando a Selic cair de forma mais consistente e a inflação ancorar, essa janela vai fechar. Quem vai entrar saudoso é quem não aproveitou agora.

=> Liderança

O conselho da Vale aprovou nessa semana, por unanimidade, a convocação de uma assembleia de acionistas para 22 de julho, com o objetivo de votar a remoção de Daniel Stieler da presidência da empresa. O pedido partiu da Previ, maior acionista da mineradora. As ações caíram mais de 2% no dia do anúncio.

Eu acho esse episódio importante não pela Vale em si, mas pelo que ele representa sobre governança corporativa no Brasil em ano eleitoral. Fundos de pensão, como a Previ, estão cada vez mais ativos no monitoramento das empresas onde alocam capital. Quando um acionista do tamanho da Previ pede a cabeça do presidente de uma das maiores empresas do mundo em commodities, é porque a leitura de gestão e resultado ficou abaixo do que se esperava. Isso é o sistema de governança funcionando.

O que fica de lição prática é algo que vale tanto para grandes empresas quanto para pequenos negócios: liderança que não entrega resultado tem prazo de validade, independente do tamanho da organização. E quem avalia liderança só por intenção e não por resultado geralmente paga esse preço mais cedo do que imagina. O mercado não é paciente com gestão que não entrega.

=> IA & Produtividade

A PwC publicou essa semana um levantamento sobre aptidão para IA nas empresas com um dado que resume bem onde está o buraco entre quem usa IA e quem captura valor com ela. Empresas com maior aptidão para a tecnologia têm ganho de desempenho 7,2 vezes maior do que seus concorrentes, combinando crescimento de receita e redução de custos. Sete vírgula dois. Não é marginal.

Mas tem um dado do Gartner que circulou nessa semana no Seu Dinheiro que coloca isso em perspectiva: apenas um em cada 50 investimentos em IA entrega transformação de negócio. E 20% geram algum retorno mensurável. O resto é gasto sem resultado claro.

A mesma pesquisa introduz um conceito que me parece muito preciso para descrever o problema: workslop. O termo, criado por pesquisadores de Stanford, descreve trabalhos gerados rapidamente pela IA mas com qualidade baixa. O custo disso é concreto. Os funcionários gastam em média duas horas para corrigir as entregas ruins da tecnologia, o que derruba a produtividade que a ferramenta deveria ter criado.

A diferença entre 7,2x de ganho e 1 em 50 investimentos com resultado está exatamente aí. Uma empresa que treina as pessoas, redesenha os processos e mede o que a IA entrega de verdade tem resultado. Outra que compra a ferramenta, coloca no onboarding e espera que aconteça, fica com workslop. A

IA não muda isso por conta própria.

=> Saúde & Longevidade

A ciência sabe, com bastante consistência, sobre os hábitos associados ao envelhecimento saudável. Sem suplemento milagroso, sem protocolo caro.

Coisas que qualquer pessoa pode fazer.

A médica Linda Fried, da Universidade de Columbia, compara o exercício

físico ao efeito de uma pílula contra o envelhecimento. A Organização Mundial da Saúde recomenda de 150 a 300 minutos de atividade moderada por semana. Uma pesquisa da Universidade de Canberra mostrou que 45 minutos de atividade leve ao menos uma vez por semana já beneficiam a retenção de memória.

Não é maratona. É consistência.

Sono, alimentação, controle de estresse e vínculos sociais aparecem com a mesma consistência nos estudos. São fatores modificáveis. Escolhas. Não genética.

O cardiologista Álvaro Avezum, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, tem uma frase que resume bem o que a medicina preventiva defende: para ser centenário, o cuidado precisa começar na infância. E 90% das doenças crônicas que matam brasileiros têm raiz em hábitos que poderiam ter sido modificados décadas antes.

O Brasil está envelhecendo rápido. E como apontou Alexandre Kalache, um dos maiores especialistas em longevidade do país, normalmente chegamos aos 50 anos com hipertensão que podia ter sido evitada. Não por falta de conhecimento. Por falta de hábito. E hábito se constrói bem antes da doença aparecer.

Vai Brasiiiiiiiiiiiiiiiil!!!

Grande abraço,

Boa semana pra você e pra família!

Max Carneiro | Seu parceiro de planejamento financeiro e proteção familiar

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