Tem uma coisa que eu quero contar antes de entrar nos dados. Essa semana, depois de oito semanas seguidas de queda, o Ibovespa finalmente subiu. E aconteceu ao mesmo tempo em que a Copa do Mundo de 2026 começou nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Não acho que foi coincidência. O mercado precisava de uma boa notícia e o acordo de paz entre EUA e Irã chegou na hora certa. Só que o acordo ainda não foi assinado. O Irã até derrubou um helicóptero americano no meio das negociações. É esse o mundo que estamos vivendo agora. E na quarta-feira que vem, o Copom decide se corta a Selic mais uma vez ou para tudo.

=> Economia

Boletim Focus de segunda-feira, dia 8, mostrou o IPCA projetado para 2026 subindo de 5,09% para 5,11%, décima terceira alta consecutiva. A Selic esperada para o fim do ano foi elevada de 13,25% para 13,50%. O mercado está sistematicamente revisando para cima a inflação e para cima os juros. Semana após semana. Isso não é ruído.

Na sexta-feira, dia 12, o IBGE divulgou o IPCA de maio: 0,58%, acima da expectativa do mercado, que estava em 0,53%. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, acima do teto da meta de 4,5%. Os culpados de sempre: alimentos, com alta de 1,33%, e energia elétrica, que subiu 3,67% num único mês. O grupo de saúde e cuidados pessoais avançou 0,90%. No mesmo dia, o Ibovespa fechou em queda de 0,21%, mas na semana acumulou alta de 1,25%, aos 171.132 pontos, a primeira alta semanal em dois meses. O dólar recuou abaixo de R$ 5,10.

O que moveu o mercado essa semana foi a perspectiva de um acordo entre EUA e Irã. Trump afirmou na quinta que os pontos finais já tinham sido aprovados. Mas o Irã negou os termos na sexta e reiterou que o texto ainda não foi fechado. No meio da semana, um drone iraniano abateu um helicóptero Apache americano sobre o Estreito de Ormuz, com os EUA respondendo com ataques a sistemas de defesa iranianos. O petróleo caiu 6% na semana com os sinais de paz, mas a situação no terreno não está resolvida.

Mais uma bomba essa semana: o Banco Central Europeu subiu os juros pela primeira vez em três anos, surpreendendo o mercado. 

Enquanto o Brasil tenta calibrar a Selic para baixo, a Europa voltou para o modo contracionista. O ambiente global de juros altos por mais tempo não vai embora tão cedo.

=> Investimentos

A primeira alta semanal em dois meses é boa notícia. Mas precisa de contexto. O Ibovespa subiu 1,25% numa semana em que o petróleo caiu 6%, o acordo de paz pareceu próximo e o humor global melhorou. São fatores externos, não mudanças estruturais no cenário doméstico. 

A inflação continua acima da meta. O BC se reúne nos dias 16 e 17.

A dúvida que o mercado está enfrentando com o Copom de junho é genuína: cortar mais 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,50% para 14,25%, ou pausar o ciclo pra ganhar tempo? O Itaú vê espaço para um corte modesto. A Pilar Capital aposta na manutenção. O JPMorgan defende o corte como seguro contra aperto excessivo. 

Nenhum consenso.

O que não muda nesse debate é a atratividade da renda fixa. Com o IPCA acumulado em 4,72% em 12 meses e as expectativas acima de 5%, quem tem título atrelado ao IPCA de médio e longo prazo está capturando retorno real relevante. A queda do petróleo essa semana é desinflacionária, o que ajuda o BC na decisão de quarta. Mas uma semana de alívio não apaga treze semanas de deterioração das expectativas.

=> Liderança

Uma pesquisa do Great Place to Work que está circulando bastante essa semana nas discussões de gestão trouxe um dado que me chamou atenção. A incerteza sobre perspectivas de negócios saltou de 16% em 2019 para 35,4% em 2026, o maior índice da série histórica da pesquisa Tendências em Gestão de Pessoas. E o desenvolvimento de liderança aparece como prioridade número um pelas empresas, com 57,4%.

Esses dois dados juntos dizem algo importante: as empresas estão percebendo que navegar incerteza é uma habilidade de liderança, não só uma condição de mercado. Quem lidera bem num ambiente de baixa visibilidade faz diferença real. Quem precisa de cenário claro pra tomar decisão vai ficar esperando muito tempo.

Um dado complementar do relatório da McKinsey citado pelo RH Pra Você é desconcertante: 95% dos líderes acreditam ser boas referências para suas equipes. Só 56% dos colaboradores concordam. Essa diferença de quase 40 pontos é o tamanho do problema. O líder acha que está comunicando bem, sendo presente, sendo claro. A equipe não está recebendo isso. E esse ruído tem custo direto em produtividade, engajamento e resultado.

pesquisa da Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas resume o desafio com uma frase que vale anotar: o problema das lideranças em 2026 já não é definir estratégia. É transformar direção em execução consistente.

=> IA & Produtividade

O prazo que o presidente da Câmara, Hugo Motta, havia estabelecido para a votação do Marco Regulatório da IA na comissão especial era o dia 9 de junho. A votação não aconteceu dentro do prazo. O portal da Câmara dos Deputados confirmou o cronograma pretendido, mas o plenário ainda aguarda o parecer do relator Aguinaldo Ribeiro. A expectativa continua sendo que o texto vá ao plenário antes do fim de junho.

O que me interessa nessa demora não é a burocracia em si, é o que ela revela sobre a dificuldade de legislar em tempo real sobre uma tecnologia que muda mais rápido do que qualquer comissão consegue acompanhar. O Startupi publicou uma análise dos impactos que mostra bem a tensão: o ecossistema corporativo e tecnológico do país entrou em contagem regressiva, mas o que vai sair dessa votação ainda é incerto. Empresas que precisam tomar decisões sobre IA agora estão fazendo isso sem saber as regras definitivas.

Isso tem um custo real. Não é abstrato. É a empresa que adia implementação, o investidor que espera antes de aportar, o gestor que hesita em integrar IA nos processos porque não sabe qual obrigação vai ter daqui a seis meses. Incerteza regulatória é custo de oportunidade.

=> Saúde & Longevidade

O IPCA de maio trouxe um dado que ficou em segundo plano no noticiário mas que afeta diretamente a vida de quem paga plano de saúde ou tem consulta particular: o grupo de saúde e cuidados pessoais subiu 0,90% em maio. Num único mês. E energia elétrica subiu 3,67%. Dois itens que pesam na conta de qualquer família e que vão ficando mais caros exatamente quando a renda não acompanha no mesmo ritmo.

Isso se conecta a um debate que a Fiocruz está levando para um seminário em junho, o evento “Perspectivas da Saúde no Brasil”, com foco na transição demográfica e seus impactos no sistema de saúde público e privado. O coordenador do Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, Rômulo Paes de Sousa, coloca o problema com clareza: o Brasil perdeu o primeiro bônus demográfico, que era ter uma população jovem e produtiva. O desafio agora é o segundo bônus, que é fazer com que a longevidade seja vivida com qualidade, e não como sobrecarga para as políticas sociais.

O sistema não está preparado pra isso. Os planos de saúde estão ficando mais caros. A oferta de profissionais qualificados não cresceu no mesmo ritmo que a população idosa. E a mentalidade de curar em vez de prevenir ainda predomina. A conta vai crescer. Vai crescer mais rápido do que a maioria das pessoas está planejando. E vai ser mais difícil de pagar para quem não começou a se preparar cedo.

Grande abraço,

Boa semana pra você e pra família!

Max Carneiro | Seu parceiro de planejamento financeiro e proteção familiar

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