Sabe qual foi o maior erro de quem perdeu dinheiro no mercado esse ano? O mesmo dos times que perderam para a Espanha na Copa. Mudaram o plano quando o resultado não vinha. Tentaram fazer diferente do que sabiam fazer. Apostaram na jogada individual quando o sistema não estava entregando.
A Espanha campeã de 2026 é a mesma de sempre: posse, paciência, coletivo, sem pressa. Nenhuma virada de mesa. Nenhum desespero. Esse é o tipo de comportamento que ganha campeonato. E que também constrói patrimônio. O resto dessa edição vai mostrar por que essa semana foi exatamente o tipo de momento que separa quem tem plano de quem está improvisando.
=> Economia
Na quarta-feira, dia 15, o governo americano confirmou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor em 22 de julho. Os setores diretamente afetados são indústrias físicas: etanol, açúcar, máquinas agrícolas, madeira, vestuário. Mas o impacto indireto chega em todo mundo.
Quando setores relevantes da economia brasileira perdem competitividade no exterior, o efeito cascata aparece no mercado interno. Empresas de manufatura e agronegócio que faturam menos revisam orçamento de tecnologia, adiam projetos, seguram contratações. A CNI estima que a tarifa pode comprometer entre 0,5 e 0,6 ponto percentual do PIB no cenário mais adverso, o equivalente a R$ 76 bilhões em atividade econômica. Isso não é abstrato. É o orçamento dos clientes que compram tecnologia.
A boa notícia veio na sexta-feira. O IBC-Br de maio subiu 0,1%, acima da expectativa do mercado, que projetava estagnação. A indústria puxou com alta de 0,4%. A economia real ainda está crescendo, mesmo sob pressão. O Ibovespa fechou a semana em queda de 2,33%, aos 173.714 pontos, primeira perda em um mês. Dólar fechou em R$ 5,11, praticamente estável.
=> Investimentos
Voltando à Espanha. O que um investidor que perde a cabeça faz quando chega uma notícia como a tarifa de 25%? Vende. Muda tudo. Tenta adivinhar quais ações vão cair mais. O que um investidor com sistema faz? Lê, entende o impacto real e não mexe no que não precisa ser mexido.
O Copom se reúne em 4 e 5 de agosto e o mercado ainda espera mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14,25% para 14%. A trajetória desinflacionária não mudou por causa de uma tarifa. O Tesouro IPCA+ com vencimento longo segue pagando acima de IPCA + 7% ao ano. Para quem tem renda estável em tecnologia e ainda não organizou a reserva de emergência e a carteira de médio prazo, essa janela de taxa real alta é a oportunidade mais concreta dos últimos anos. Não é sobre adivinhar o mercado. É sobre usar o que o mercado está oferecendo enquanto oferece.
=> Liderança
Um índice publicado essa semana pela PwC Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral mostrou que o Brasil avançou para nota 3,6 no Índice de Transformação Digital, o ITDBr. É progresso real. Mas o próprio relatório aponta o que trava o avanço: foco excessivo em eficiência de curto prazo e baixa adoção de IA para decisões de médio e longo prazo.
Isso descreve bem o padrão que se repete nas empresas que atendem tecnologia no Brasil. A empresa adota uma ferramenta para resolver o problema imediato. Não estrutura o processo. Não treina quem vai usar. Não mede resultado. E quando o ambiente aperta, corta exatamente o investimento em tecnologia que poderia ter dado mais eficiência e margem.
Para o empresário que vende para o mercado interno, esse ciclo é familiar. O cliente compra na euforia e cancela na crise. O antídoto é mostrar resultado mensurável antes da crise chegar. Tecnologia que não tem número associado ao resultado vira custo na primeira revisão de orçamento.
=> IA & Produtividade
O HC-UFTM realiza no dia 23 de julho um webinário com o professor Alexandre Chiavegatto Filho, da Faculdade de Saúde Pública da USP, sobre um tema que o mercado brasileiro de tecnologia ainda trata com pouca seriedade: como adaptar algoritmos de IA para todas as realidades do Brasil.
O ponto central é direto: modelos treinados com dados de populações americanas ou europeias erram quando aplicados ao contexto brasileiro. Na saúde, esse erro pode ser um diagnóstico errado. Nos negócios, pode ser um modelo de precificação que não funciona, uma recomendação de produto que não converte, um sistema de crédito que discrimina sem querer.
Isso é o problema real de quem implementa IA no mercado interno brasileiro usando modelos importados sem adaptação. E é a oportunidade real de quem sabe construir ou adaptar para o contexto local. O Brasil tem diversidade regional, socioeconômica e cultural que nenhum modelo treinado fora consegue capturar bem sem curadoria local. Quem faz isso bem tem uma barreira competitiva que dinheiro sozinho não compra.
=> Saúde & Longevidade
A TV Brasil exibiu essa semana uma reportagem sobre três irmãs centenárias cujas amostras de sangue foram coletadas por pesquisadores da USP num estudo sobre genes de longevidade. A coordenadora Mayana Zatz explicou o objetivo: quanto mais famílias com vários centenários participarem, mais precisa fica a identificação dos genes que protegem contra doenças e envelhecimento.
O que me chamou atenção foi o depoimento de uma das irmãs sobre o que ela atribui à longevidade. Não foi academia. Foi alimentação de verdade, movimento cotidiano, contato com a natureza e vínculos sólidos. A ciência confirma: longevidade é genética mais estilo de vida. Nenhum dos dois sozinho resolve.
Para quem trabalha com tecnologia no Brasil, esse dado tem um peso específico. A rotina do profissional de TI é sedentária por padrão, com sono irregular, alimentação improvisada e exposição constante a demandas urgentes. O corpo não distingue se o estresse veio de um chamado de madrugada em produção ou de uma situação física de risco. A resposta hormonal é a mesma. E o custo acumulado aparece nos exames daqui a alguns anos, não agora. A janela para agir é antes de precisar.
Grande abraço,
Boa semana pra você e pra família!
Max Carneiro | Seu parceiro de planejamento financeiro e proteção familiar
